quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Memorial atualizado - 4/12/2019




“Não há vida sem correção, sem retificação.”
Paulo Freire

Com essa frase, escrevo aqui as minhas memórias.                                         
                                                                                                                                                           
1990 - Infância dividida - Nasci em Brasília no dia 30 de dezembro de 1990, sou filha de brasilienses e neta de cearenses. Morei em Brasília até meus 7 anos, po???is por uma feliz descoberta da minha mãe, mudamos para Natal, Rio Grande do Norte, a famosa cidade do Sol. Lá vivi o resto da minha infância e quase toda a minha adolescência. Lembro-me que antes de morar em Natal, vivi com minha mãe e avós no Cruzeiro Velho, onde fiz o meu jardim de infância, o “prézinho” (antecedente ao Ensino Fundamental) numa escola pública perto da minha residência.





Recordo-me de ser uma escola bastante acolhedora, onde eu brincava bastante e onde iniciei minha alfabetização, aprendi as letras do alfabeto, através das intervenções pedagógicas das “tias” e daquelas salas repletas de letrinhas coloridas. Quando chegava em casa, após uma tarde de atividades e brincadeiras, ainda ia brincar de escolinha com meus primos, onde minha avó aproveitava a ocasião para nos incentivar a aprender a ler e escrever, esse acompanhamento em casa foi uma grande ajuda para o desenvolvimento da minha alfabetização. Os números e cálculos eram a minha dificuldade, nessas brincadeiras de escolinha sempre acabava chorando de raiva pela dificuldade que tinha de utilizar os números, o que foi traumatizante e que trouxe algumas consequências.


Neste espaço escolar fui aprendendo a conviver com os outros coleguinhas e suas diferenças, a dar meu primeiro laço no cadarço do tênis, a escrever algumas letrinhas, aprendendo o que era certo e o que era errado, o que era conveniente e o que não era. Enfim, um espaço que de fato foi muito importante para o meu desenvolvimento inicial que me fez adentrar a 1° série do Ensino Fundamental, além de sabendo ler e escrever bem, também sabendo lidar com pessoas, circunstâncias e espaços diferentes.




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1997 - Mudando pra Natal "A cidade do sol" - Morando em Natal, entrei na 1° série do Ensino Fundamental e desde então estudei em escola particular, pois minha mãe acreditava que o ensino público no nordeste não era tão bom quanto em Brasília e que o ensino particular seria o ideal, pois ela sabia que nessa nova fase escolar estaria a minha base para o meu ensino futuro, o que de fato é verdade. Meu ensino fundamental foi cursado em uma escola particular, porém simples, percebi bastante a diferença de ensino de Brasília pra Natal. Natal na época (1998) era uma cidade que estava em desenvolvimento, sendo uma cidade turística, a sua base econômica dependia muito da movimentação turística, dessa forma a cidade, assim como as outras, porém em escala maior, tinha suas fragilidades em relação à educação. 

Recordo-me que entrando em sala de aula percebia ainda muitos alunos com dificuldades de leitura, lembro que as professoras pediam para que lêssemos em voz alta alguns textos e muitos demonstravam dificuldades. Mesmo com sete anos percebia a diferença de ensino entre as duas cidades. Fui me adaptando com o clima, com as pessoas, com os sotaques, com as gírias, enfim essa transição regional foi bastante impactante, porém, vejo hoje como bastante construtiva, pois assim pude conhecer diferentes contextos e fui aprendendo a lidar com a diversidade. 
Nessa fase, me considerava uma aluna aplicada, sempre queria finalizar primeiro os deveres, buscava obter o melhor desempenho para obter elogios das professoras, adorava fazer provas, sempre me considerei um tanto competitiva e isso refletia no meu desempenho escolar, nunca esqueço que na quarta série do Ensino Fundamental, havia uma competição de quem era “o melhor” da turma (considerando o desempenho em classe) e lembro que ganhei um troféu de 2° lugar e fiquei bastante chateada, pois queria ser a primeira. Hoje percebo que esse incentivo escolar de ganhar troféu, não é tão válido, pois apesar de vivermos em uma sociedade competitiva, onde as oportunidades são conquistadas através de desempenho e ranking, não se visava uma aprendizagem concreta, com conteúdos práticos e menos fragmentados, mas uma aprendizagem pra atingir apenas o primeiro lugar.

A partir da 4° série, mudei pra outra escola, com estrutura maior, onde muitos a considerava como uma escola boa e renomada, nela eu tinha mais disciplinas como o inglês. Na época era muito instigante você ter aula de língua estrangeira na escola, pois já havia uma demanda na sociedade de pessoas que falassem outra língua, principalmente o inglês.  Minha mãe domina o inglês muito bem, o que me ajudou bastante, pois aprendia muitas coisas e complementava com essas aulas na escola, não tendo muita dificuldade nessa disciplina. Comecei a ter muita dificuldade mesmo era em matemática, era algo que não fazia sentido pra mim, lembro-me que ao passar de ano, sentia que algo estava faltando, não sentia que tinha compreendido o conteúdo, porém eu era aprovada, mas no limite, sem de fato aprender muita coisa da base o que me prejudicou bastante no Ensino Médio. 

Em 2002 minha mãe decidiu que eu retornasse para Brasília para ficar com minha avó e familiares, pois ela iria viajar para a Inglaterra, terra do meu padrasto John e ficaria lá durante um semestre, dessa forma como não podia ficar sozinha em Natal voltei para ficar com minha família em Brasília, durante um ano. Foi um ano bastante interessante, estudei em uma escola particular, em Taguatinga perto de onde minha avó morava, nessa escola cursei a 6° série, lembro que ao chegar foi a mesma sensação da minha chegada em Natal, tudo diferente de novo e uma nova adaptação, acostumar com novas gírias e sotaques, o jeito mais fechado do brasiliense, o frio de Brasília, além disso, ficar longe da minha mãe, enfim, foi uma nova fase.

Nessa escola foi onde me apaixonei pela História, adorava a professora e a forma como ela ensinava que me fez gostar mais ainda dessa matéria, lia o livro de História como se fosse diversão e fazia os exercícios com maior prazer. Além disso, adorava também as aulas de Português, sempre me saia bem nessas duas matérias, principalmente pela forma dinâmica que as professoras conduziam a aula. Lembro-me de duas cenas que me fez perceber que dar aula pode ser muito legal e prazeroso: uma vez a professora de História trouxe para sala de aula um som para que escutássemos a musica do Legião Urbana, Índios e fizéssemos uma análise reflexiva com a chegada dos portugueses no Brasil e toda aquela questão dos índios, enfim eu já era fã de Legião e ainda poder unir e contextualizar sua música com a História, pra mim era fantástico. A ideia da professora em trazer a música para que refletíssemos sobre a descoberta do Brasil, não só como conta os livros, mas através de outros pontos de vista, foi muito instigante. Já a professora de português, tinha que ensinar as preposições para os alunos, com toda sua sagacidade, sabendo que aquilo seria uma questão de “decoreba”, mas que tinha que ensinar, ela simplesmente transformou as preposições em um rap e por incrível que pareça, dez anos depois, eu nunca esqueço e já utilizei bastante esse rap pra responder questões de provas e vestibular.

Colégio Brasil Central - Taguatinga

"Rap das preposições" o ritmo é mental 😝 

𝄞 A, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, per, sob, sobre, trás. 𝄢 
                                                  
                                                        (pra provar que não esqueci...rs)


Em 2003 já tinha voltado para Natal e começado a 7° série, durante esses anos fui uma aluna normal com algumas notas medianas, outras boas e outras ruins. Até a 8° série passava de ano normalmente, menos em matemática que era sempre a mesma dificuldade e sempre ficava no limite, penso hoje que se talvez tivesse tido um reforço em matemática em turno diferente não teria enfrentado tanta dificuldades no outros anos, principalmente no Ensino Médio, onde tínhamos que estudar química e física, que precisava bastante do conhecimento matemático.

Ao entrar no Ensino Médio, minha mãe resolveu me colocar em uma escola que aplicava os conteúdos em ensino integral, ou seja, três vezes na semana eu estudava de manhã e a tarde, o que na época minha mãe achava que era melhor em relação a aprendizagem, no entanto, percebi claramente que quantidade de estudos não é a mesma coisa que qualidade de estudos, pois era dado bastante conteúdo, porém, não havia a absorção verdadeira deles. Sei que minha mãe tinha ótimas intenções, pensando que quanto mais matérias eu tivesse, mais conteúdo eu estudasse melhor seria meu desempenho nas avaliações seletivas. No entanto, foi nessa época que eu descobri o tanto que minha base escolar foi fraca e como eu tinha dificuldades na área de exatas, principalmente por não ter aprendido conteúdos básicos de matemática no meu Ensino Fundamental. 


Aluna "aplicada"

Nesta escola estudávamos o conteúdo normal do 1° ano de manhã e a tarde estudávamos já o conteúdo do 2° ano, ou seja, adiantávamos os conteúdos, e não tinha tempo para estudar  nem  o conteúdo normal da série e muito menos o conteúdo adiantado. Enfim, acabou que não aprendi muito, apenas estudava para conseguir tirar uma nota de aprovação nos testes e provas que ocorriam recorrentemente. Lembro que na época essa metodologia era muito exaltada, apenas os alunos considerados “nerds” eram os que estudavam integralmente, pois considerava que dessa forma facilitaria para entrar em cursos bastante concorridos na Universidade.

No primeiro ano do Ensino Médio não me preocupava sobre o que cursar na faculdade, não ligava muito para essa questão de vestibular, meu foco ainda era passar de ano, mesmo que no limite das notas. Iniciando os estudos em física e química, fui percebendo que iria ter muita dificuldade nessas matérias também, tendo em vista a quantidade de cálculos necessários para compreender o conteúdo, e tive mesmo! Foi nessa fase que fui entendendo o que era tirar notas realmente baixas, o que era não conseguir resolver exercícios, pela falta de prática em calcular e ficar em recuperação. Realmente foi uma fase muito difícil em relação à escola, lembro ainda que como adolescente queria mais era saber de me divertir e aproveitar essa fase tão maravilhosa, que guardo ótimas lembranças e que me remetem a muita saudade. Apesar da dificuldade nas exatas, ainda conseguia me destacar nas matérias de português, literatura e redação, lembro da minha facilidade em escrever e dos elogios da professora em relação as minhas dissertações, assim, comecei a pegar gosto pela escrita, adorava escrever, discorrer diversos assuntos e simplesmente adorava as provas discursivas, sabia que a partir delas que iria recuperar minhas notas, em relação as notas de exatas.

Também, gostava muito da literatura adorava estudar Camões, Gonçalves Dias, romantismo, simbolismo, enfim, adorava fazer poesias, participava de concursos de poesias, ganhei algumas publicações em jornais da escola, alguns sites na internet, de outros estados, enfim, realmente adorava poetizar e recebia muitos elogios dos leitores da minha poesia. Guardo até hoje uma agenda repleta de poemas e poesias, lembranças da minha adolescência. A partir desse momento foi quanto comecei a pensar em estudar Letras – português ou então Jornalismo, mesmo com minha timidez em expressar minha oralidade, achava que poderia trabalhar como jornalista escrevendo artigos, enfim, mas ainda não pensava em nada muito concreto em relação à Universidade.

Gosto pela leitura e poesias...

Fui aprovada no 1° ano com muita dificuldade, fiquei em recuperação em matemática e física, tive que fazer aula de reforço pra conseguir aprovação nessas matérias, infelizmente até hoje não me arrisco em entendê-las, pois apesar de gostar do uso prático da física e matemática, não me arrisco a resolver seus problemas e exercícios. 

2007 - de volta pra Brasília "Meu Deus, mas que cidade linda, no ano novo eu começo a trabalhar" - Enfim, cursei o primeiro semestre do 2° ano na mesma escola e no mesmo esquema integral, porém nessa época, no auge da minha adolescência, onde muitas coisas aconteciam, muitas emoções, amigos, namoros e etc., minha mãe estava em processo de separação do meu padrasto, então ela decidiu voltar para Brasília (a cidade das oportunidades) e ficar com a família e dessa forma eu teria que voltar também. Foi uma época bastante difícil pra mim, não queria mudar de novo e perder o contato com meus amigos, não queria sair daquela cidade tão perfeita que deu tantas alegrias, porém tive que voltar, sai da escola no período de férias do meio do ano e fui para Brasília. Lembro que sai com notas muito baixas em matemática e física e teria que recuperar no 2° semestre, senão não passaria de ano.

Em Brasília as escolas particulares são extremamente caras, comparado à Natal, principalmente o Ensino Médio, então como não podíamos arcar com as mensalidades, procuramos uma Escola Pública, onde meu primo, que tinha sido aprovado na UnB na época, estudava. A escola ficava no Guará e tinha uma boa reputação, pois seu Diretor de fato era muito bom, então mesmo morando em Taguatinga, consegui uma vaga e resolvi estudar lá. Recordo que essa mudança foi realmente bastante impactante, nunca tinha estudado em Escola Pública, exceto no Ensino Infantil como contei acima, então conheci de perto o ensino público de nosso país e acabei me surpreendendo bastante. 




A adaptação foi um tanto complicada, primeiro o horário das aulas começava mais cedo comparado a escola que eu estudava em Natal, então eu tinha que acordar muito cedo para conseguir pegar o ônibus e chegar no horário, tendo em vista a distância e o trânsito de Taguatinga-Guará, ainda tinha que acostumar novamente com o frio de Brasília. Como entrei na escola no 2° semestre e uma semana depois, me colocaram na última turma do 2° ano, a turma “J”. Essa turma era onde tinha os alunos que mais reprovavam e os que mais tinham problemas disciplinares, não sabia que ainda continuavam a separar as turmas por desempenho, o que deveria ser ao contrário. Ao entrar na sala encontrei alunos bem mais velhos e percebi que o nível realmente era mais baixo, tanto que mesmo com notas baixas que eu tinha em Natal, meu desempenho ainda era bom em relação ao nível da turma. Fiquei realmente espantada de como a secretaria ainda fazia esse segregação de alunos ao invés de colocar aqueles que tinham dificuldades com aqueles que tinha um bom desempenho, para haver uma troca de conhecimentos enfim, eles separavam os “ruins” dos “bons”. 

Não era só isso que me espantou, mas também a falta de interesse de alguns professores, havia professores que de fato não davam aula e estudava para concurso na nossa frente, era incrível ver esse descaso, sem falar na falta de professores, enfim todos esses problemas que já conhecemos em nosso ensino público, porém eu realmente senti na pele o que é ser uma estudante da rede pública. E isso me fez de certa forma amadurecer, pois acabei vendo que a realidade não é só colorida como quando eu estudava em escola particular em Natal, uma cidade paradisíaca, mas percebi que muitas coisas aconteciam, havia a disparidade social, o descaso com a educação, enfim, via nos intervalos muitas meninas de 15 ,16 anos grávidas, muitos meninos envolvidos com drogas e violência, enfim vi de perto o que eu sabia que existia mas não me importava, já que estava na minha “zona de conforto” em Natal. Vejo como amadureci durante esta transição de realidade, aprendi a resolver vários problemas sozinha para conseguir o que queria, aprendi que tinha que estudar muito se quisesse entrar na Universidade de Brasília, aprendi que muitos que estavam naquela turma precisavam da minha ajuda pra pelo menos passar de ano e conseguir uma formação no Ensino Médio, aprendi tantas coisas que me fizeram amadurecer e que agora agradeço a minha mãe por ter feito essa mudança, porque talvez hoje eu não estaria dando conta de tantas coisas que faço atualmente. Brasília me ensinou a virar “gente grande”, trazendo oportunidades e responsabilidades.

GG- Quando o professor faltava...


Cursei o 2° e 3° ano nesta escola que, apesar das dificuldades citadas, havia também bons professores, que buscavam dar o máximo possível para mudar a realidade de muitos jovens que estavam ali e não acreditavam muito nos estudos e seus resultados, havia professores que queriam de fato que aprendêssemos o conteúdo, que fizéssemos um bom vestibular. Dessa forma, mesmo com a boa vontade de muitos professores, sabia que para passar no vestibular da UnB o ensino normal da escola não iria bastar, resolvi fazer um cursinho preparatório para o vestibular, então no 3 ° ano eu estudava de manhã na escola e a tarde ia para o cursinho.

Tentei meu primeiro vestibular no meio do 3° ano, onde fiz para Ciências Sociais e não consegui a aprovação, na época escolhi este curso, pois gostava de conhecer sobre as relações humanas e suas culturas, enfim, porém não sabia mesmo se era isso que eu queria. Ao concluir o Ensino Médio, prestei outro vestibular no início do ano, lembro que estava em dúvida entre Pedagogia ou Letras, duas áreas que me interessavam, fiz para Letras-português, curso o qual ainda quero fazer, também não consegui aprovação, lembro que fiquei muito triste nessa época. Havia uma pressão familiar para entrar na UnB, já que todos meus primos haviam passado, enfim, acredito que essa pressão ainda seja normal entre as famílias. Comecei a estudar bastante para o 2° vestibular de 2009, ia para a biblioteca todos os dias e só voltava a noite, na época eu tinha muito o apoio de minha mãe, em tudo minha mãe procurava me ajudar. Recordo de quando ela falava: “Filha, por mim você pode ser o que quiser, portanto que se sinta realizada e feliz, para mim é o que mais me importa.”. Essas palavras para mim eram reconfortantes, tendo em vista a pressão que era terminar o Ensino Médio e buscar logo fazer uma faculdade.

Foi então que me inscrevi neste vestibular para o curso de Pedagogia, por ideia da minha mãe, resolvi pesquisar mais sobre o curso, pois sabia que era um curso amplo, que não era apenas para lecionar, vi que tinha várias áreas de trabalho e muita oportunidade de emprego, me interessei bastante e como minha mãe queria que eu o fizesse, pois achava uma profissão muito bonita e gratificante, me inscrevi. Fiz a prova, apesar da pressão, a fiz tranquilamente, lembro-me que fui muito bem na redação e fui bastante estratégica dessa vez, marquei apenas as questões que eu realmente sabia, tendo em vista o modelo de correção “uma errada anula uma certa”, quase não respondi as questões de matemática ou física. Enfim, fui aprovada na UnB com 18 anos, para o curso de Pedagogia – Diurno, ver meu nome na lista de aprovação disponibilizada no Teatro de Arena foi uma das maiores alegrias que já tive em minha vida, realmente inesquecível a sensação de conquista, lembro-me do abraço fraterno e orgulhoso de minha mãe, e também de toda aquela festa e sujeira feita pelos veteranos e calouros ali no teatro.

2009 - Entrada na UnB - "Passei!" Ao entrar na UnB, como toda caloura tive aquela ansiedade, vislumbre, com vontade conhecer os professores, conhecer as disciplinas que iria estudar e todas aquelas coisas que sentimos ao sermos calouros. Guardo todos os textos e escritos desde o 1° semestre em Pedagogia e ao verificá-los vejo o tanto de informação, tantos textos, professores que marcaram, outros que nem lembramos, enfim, tanta coisa que passa nestes quatro anos que nos remetem a reflexões e nostalgias. Aprendi a gostar do curso a cada semestre, apesar de algumas decepções, acredito que o curso tem mais qualidades do que defeitos. No entanto, considero que não aproveitei a Universidade como deveria, pois a partir do 2° semestre comecei a estagiar no Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB), 30 horas semanais, durante o horário vespertino, tendo então que organizar os horários das disciplinas para manhã. Foi uma fase complicada, pois eu precisava do estágio e como já havia começado o semestre tive que dispensar muitas disciplinas e trancar outras. Então, estagiei durante um ano, depois fui contratada e promovida para outro cargo onde teria que trabalhar 8h/dia, foi difícil, mas decidi ir, pois seria uma experiência interessante e precisava ajudar minha mãe a pagar as contas, a partir dai tive que estudar apenas a noite e sábado de manhã. É complicado, pois a disposição das disciplinas no curso de Pedagogia – noturno é de certa forma limitada, o que nos faz perder algum tempo.




2010 - Primeira experiência de trabalho  "Lerêlerêlerêlerêlerê" 



Trabalhando no CESPE/UnB aprendi a lidar com muitas avaliações, com as dúvidas, angústias e cobranças do avaliados, vestibulandos e concurseiros. Vi muitos alunos chorando por não ter conseguido entrar na UnB, pais revoltados por acreditarem na capacidade de seus filhos e não aceitaram o resultado negativo no vestibular, indignados pela nota de seus filhos nas redações, enfim, lidei com incompreensão de muitos pais e familiares que não percebem que não se avalia um aluno apenas pela sua nota no vestibular, ou em provas, mas tem toda a questão da concorrência, onde infelizmente, o acesso democrático a universidade ainda está se conquistando, o número de vagas aos poucos está aumentando, porém ainda há um sistema que seleciona candidatos, que julga e que, até o momento, é necessário para se ter acesso a Universidade.
Foi a partir do 4° semestre que comecei a me encontrar no curso, pois iniciei o Projeto 3 fase a, Economia Solidária com a professora Sônia Marise, a princípio escolhi o Projeto pelo horário disponível (aos sábados), depois pela área que envolvia a educação popular. Foi um semestre muito bom, feito em Santa Maria, nessa fase considerei como o inicio da parte prática do ato de educar e trabalhar com educação popular, trabalhei em ambiente não escolares, que envolvia comunidades carentes e que fez me interessar bastante por esta área, principalmente quando tive a oportunidade de trabalhar com a educação de jovens e adultos, o que será exposto nos próximos capítulos, do meu projeto 5.  





Acima alunos do EJA e abaixo nós estudantes da Pedagogia na ONG AASM.




Lembro-me que quando estava no Ensino Médio, estudando naquela turma onde tinha muitos alunos com dificuldades e muitos bem mais velhos, recordo-me o quanto eu queria ajudá-los a pelo menos passar de ano, a ter alguma perspectiva, lembro da dificuldade, da falta de credibilidade que muitos tinham, sei que alguns eu consegui ajudar pelo menos de alguma forma, mas vi muitos outros que acabavam desistindo. Hoje ainda tenho amizade com uma colega que estava atrasada mais de 3 anos para concluir o ensino médio, pensava sempre em desistir e que consegui ajuda-la a não desistir, a querer estudar e até gostar de estudar. Ela conseguiu concluir e agora já está quase terminando a faculdade, pra mim isso foi muito gratificante e percebo como me sinto feliz ajudando pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar no tempo adequado. 

Sinto-me realizada quando vejo um senhor ou uma senhora, como vi no projeto, escrevendo suas primeiras palavras corretamente, enfim, graças a esse projeto consegui encontrar sentido para o meu curso, que foi um tanto conturbado, porém bastante esclarecedor. Dessa forma, vejo que as experiências que tive no ensino médio e nos projetos foram norteadoras para a produção do tema que escolhi para este trabalho final, bem como ajudou a definir a educadora que pretendo ser, baseado nos estudos de educação popular e na busca por uma educação democrática e libertadora.

2013 - Colação de Grau - Enfim, formada! E agora?


   Colação de grau

- Diploma na mão e desafios pela frente... Surge a grande questão continuar no CESPE (que posteriormente tornou-se CEBRASPE), onde eu já estava inserida no mercado de trabalho e me consolidando, porém sem atuar na minha área de formação ou me arriscar nas áreas escolares? Decidi continuar no CESPE, pois era meu "ganha pão" e poderia me trazer oportunidades, além de custear a continuação dos meus estudos. Assim, me matriculei na pós-graduação em Gestão e Orientação Educacional na UNEB, em Taguatinga, pois além de ser uma área com grandes oportunidades de emprego, era uma área que eu também me identificava, por atuar fora da sala de aula. Também me matriculei no ALUB, em um cursinho para concursos. Nessa época, lembro que iria abrir um grande concurso da SEDF para orientador educacional... 2013 e 2014 foi a fase "concurseira",  fiz vários concursos para área de pedagogia (Metrô, Secretaria de Cultura, SEDF e IFB). Foi uma época movimentada, como eu trabalhava de 8h às 18h, estudava no horário de almoço, ia pro cursinho a noite e para pós aos sábados. Terminei a pós em 2014, realizando um artigo como TCC, cujo tema foi: O papel do Orientado Educacional frente à escolha profissional do aluno.

2015 - Nomeada no IFB - "Depois da tempestade, vem a bonança"-  


Enfim, aprovada e nomeada no Instituto Federal de Brasilia! Um misto de alegria e medo, novos desafios, finalmente atuar na minha área de formação. Fui lotada no Campus Ceilândia, perto de onde moro, fiquei feliz. O Campus era novo e ainda não havia sido inaugurado oficialmente. Assim, fui a primeira pedagoga do Campus, o que gerava uma expectativa maior pela minha chegada e muita responsabilidade. Atuei, primeiramente, na Coordenação Pedagógica - CDPD, uma coordenação que além de trabalhar com as rotinas escolares, tinha como foco principal o apoio aos docentes.
Como minha pós era em orientação educacional seis meses depois tive a oportunidade de mudar para CDAE, Coordenação de Assistência Estudantil e Inclusão Social, onde era a área que mais me adaptei, pois acredito bastante na importância da equipe multidisciplinar para garantir a permanência e êxito dos estudantes. Em 2016 assumi a Coordenação do NAPNE, Núcleo de Apoio ao Estudante com Necessidades Específicas, enfatizando mais a minha propensão para área de inclusão, permanência e êxito, sendo assim até hoje. Elaborei projetos de Oficina de Estudos, Orientações individuais, Programas de Promoção à Saúde, Semana da Acessibilidade, acompanhamento de frequência e desempenhos, Monitoria, avaliação de projetos Técnicos Científicos, entre outras coisas relacionadas a CDAE e NAPNE. Afirmo que os 3 anos de estágio probatório foram de fato um estágio na área de pedagogia, foi onde consegui amadurecer profissionalmente, sabendo que ainda tenho muito a contribuir enquanto pedagoga e por isso a necessidade na continuação nos estudos.
Em 2016 também tive a oportunidade de trabalhar, paralelamente, por um ano na EaD do IFB como Orientadora de Ensino-Aprendizagem no curso de Técnico em Meio Ambiente, auxiliando na construção das disciplinas do curso. Foi um momento novo e de muita aprendizagem.

2017 - Chegadas e Partidas

Este ano considero um dos mais puxados, emocionalmente falando. Foi o ano em que minha avó,  meu grande amor, minha inspiração, quem ajudou a me criar, Antônia, adoeceu após uma queda e depois de 7 meses de luta em hospitais públicos, veio a falecer. Esse processo acabou trazendo consequências em meu corpo e em minha mente que eu não imaginava, desenvolvi um diagnóstico de ansiedade que me fez abandonar muitas coisas que me faziam bem, como o inglês, o Tennis e a EaD, pois não estava conseguindo assumir compromissos.


                                                         Eu e minha linda avó

Além disso, havia passado no Mestrado em Educação de Santarém, Portugal, no entanto, após a divulgação do resultado final, gerando grandes expectativas, o processo seletivo foi cancelado e isso foi extremamente frustrante, me fazendo desanimar mais das coisas...Também não havia conseguido passar no ProfEPT em Anápolis...
Mas, antes dessas perdas, algo importante aconteceu em minha vida, por uma incrível coincidência (do facebook, rs) acabei encontrando e conhecendo meu pai, onde após meu nascimento, por motivos não muito bem esclarecidos, os nossos laços haviam sido desfeitos. Ou seja, foram 26 anos sem saber quem era meu pai. Assim, acabei descobrindo que de filha única eu tinha três irmãos, muito queridos. Isso foi legal...um respirar no meio de tanta tempestade. Ganhei mais uma família.


Nova família

2019 - Eu vejo a vida melhor no futuro...

Após estes dois anos de luta, voltei a me motivar mais e voltei a estudar, tentar novamente entrar no Mestrado. Comecei em janeiro a separar os textos... via o ProFEPT como uma oportunidade de aprimorar meus estudos na área de educação, principalmente na EPT, área que eu atuo diretamente. Ao ler os textos me identifiquei bastante e por isso mergulhei de cabeça nos estudos, foram 5 meses de estudo e a conseqüência foi a aprovação!

Paralelamente aos estudos, estava planejando meu casamento, após 5 anos de relacionamento, bem discreto, com minha namorada, decidimos enfrentar todas as barreiras do preconceito e realizar nossa cerimônia de casamento, foi um momento muito significativo e libertador, celebrar o amor, de todas as formas, acompanhadas de pessoas que nos amavam, enfim, nunca foi fácil, mais cada passo é necessário para evoluirmos enquanto seres humanos que se respeitam e desejam que todos tenham o direito de existir!
Agora, casada e mestranda, consigo dizer que estou empolgada e fortalecida para enfrentar todos os desafios que virão...fé em Deus e pé na tábua!


Temas de interesse: Ao entrar no mestrado, pensei em muitas coisas que eu poderia pesquisar, sempre considerando a minha área de atuação dentro do Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Específicas - NAPNE e da Coordenação de Assistência Estudantil e Inclusão Social - CDAE, ambos setores de inclusão e de atendimento ao aluno. Pesquisas sobre práticas que pudessem contribuir com a  permanência e êxito dos estudantes, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade. Assim, durante o primeiro semestre do ProfEPT, após os momentos de aulas, debates, troca de conhecimento, conclui este semestre com a seguinte intenção de pesquisa:

Tema:
Pesquisa voltada para a organização dos NAPNEs, considerando seu espaço, seus membros e suas atribuições, dentro do Instituto Federal de Brasília, com um recorte de pesquisa na observação das estruturas do Campus Planaltina e do Campus Brasília e aplicação de proposta interventiva no IFB. Busca compreender como funcionam esses espaços, destacando suas limitações e desafios diante da qualidade dos atendimentos aos estudantes com Necessidades Educacionais Específicas - NEE`s. 
Problema:
Como os NAPNEs poderiam atuar de forma mais eficiente no Instituto Federal de Brasília? Quais são as suas limitações? Sua atribuições são reconhecidas e valorizadas pela a comunidade acadêmica de cada campus? Como seria um NAPNE ideal, que alcançasse todos os objetivos da Educação Profissional e Tecnológica inclusiva?

OBJETIVOS

Geral


Esta pesquisa objetiva identificar os desafios da organização do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas - NAPNE no IFB, sugerindo a implantação de um serviço de Atendimento Educacional Especializado - AEE. Esta implantação ocorrerá por meio de um NAPNE central com equipe itinerante que consiga atender efetivamente às demandas dos estudantes com NEE`s inseridos na EPT.

Específicos

  • Analisar a organização dos NAPNEs do campus Brasília e Planaltina no IFB.
  • Identificar os principais desafios na organização destes  NAPNEs;
  • Elencar melhorias na organização dos NAPNEs aplicando-as dentro do campus Ceilândia;
  • Apresentar um projeto de organização de um NAPNE central, com equipe itinerante, visando um Atendimento Educacional Especializado - AEE.

Em suma, minha intenção de pesquisa é esta e pretendo mantê-la assim até o momento de qualificação, claro considerando as orientações e ajustes ao longo do caminho. Contando com o apoio dos docentes, diálogos com os colegas e principalmente com o auxílio da minha orientadora, Profª Drª Cínthia Nepomuceno.

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Meus hobbies e sonhos 😃

                                  
                                                              7/8/2019 casório...hehe


                                                                  Meu bebê
                                                         Motociclismo -
                                                     Viagens e aventuras

                                                          Tenista de fim de semana...

Quando eu tinha 5 anos, minha mãe sempre me disse que a felicidade era a chave para a vida. Quando eu fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse. Eu escrevi “feliz”. Eles me disseram que eu não entendi a pergunta, e eu lhes disse que eles não entendiam a vida.”
John Lennon

4 comentários:

  1. Adorei seu blog como um todo! inclusive esse fundo de estrada sensacional!

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  2. Adorei seu blog como um todo! inclusive esse fundo de estrada sensacional!
    Alessandro Mattos.

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  3. Anna Vanessa parabéns pela sua trajetória. Penso que não seja fácil mudar de cidade, é necessário se adaptar a novos costumes, clima e outras coisas. Quando relata a dor da perda da avó, me solidarizo com você pois não tenho mais os avós, alguns não tive a oportunidade de conhecer. Sinto falta de conversar com alguém mais experiente para escutar os conselhos e as brilhantes histórias de vida.

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  4. Verdade Getúlio, os avós são excelentes mestres... ♥️

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